
Ser ou não ser; eis a questão!Quem nunca ouviu esta frase?Imagino ser uma frase popular a todas as classes. Classes? Isto é modo de ser..._Eu sou da classe média._Eu sou rica._Eu? Eu não tenho classe, sou pobre.A partir das posições sociais é que podemos começar a entender o ser ou não ser. Quem tem é alguém, e quem não tem, é desclassificado, logo excluído do convívio social.E pior que não ser nada, é não ter a oportunidade de tornar-se alguma coisa. Com isso, surgem as diversas formas dos desclassificados tentarem se classificar. O tráfico é a coqueluche do momento.Mas espera aí... Quem pratica o tráfico é traficante, logo classificado, tem um espaço, tem reconhecimento, tem até um "poder". O que é melhor, ser ou não traficante já que também é uma classificação? O classificado afirma que o melhor é procurar um trabalho formal, porém, ponha-se no lugar de quem não é nada. Difícil, né!? Fácil é julgar, fácil é propagar ideologias de ordem e progresso, e na prática, os mesmos que propagam estas idéias lindas de ouvir e difíceis de cumprir, contribuem para que continuem a existir desclassificados querendo se classificar mesmo que o título dure poucos anos, como é o caso do traficante, do bandido.Penso logo existo, seria a frase que todos os brasileiros deveriam soltar de seus diafragmas. Mas do que vale pensar se a liberdade de expressão é limitada? Se as pessoas têm medo de exprimir os sentimentos e pior ainda, nem sabem transmiti-los. E como expressar-se se os espaços estão fechados? Nós vivemos em um mundo extremamente capitalista, onde, a massa acredita que as pessoas que possuem voz, são somente as que aparecem na TV e, tudo porque, infelizmente é interesse da burguesia manter pessoas invisíveis para servir de álibi para justificar a arrogância, contribuir com a indiferença e fortalecer o "superego"."Ser" é a tarefa mais difícil a ser cumprida durante a vida, pois obter conhecimento e classe e ainda assim, ser um rato, de nada adianta "ser". Imagine um país onde todos cumprem com os deveres políticos econômicos e sociais e distribuem as riquezas de forma igualitária. Irreal?Existir para muitos é além de ideologia, torna-se impossível. A partir disso, outras coqueluches irão surgir para classificar-se, pois entre muitos que existem, poucos passam a ser.Ser ou não ser depende de atitudes, com sorte neste novo século estaremos nos "breando" (Termo usado pelos quilombolas, para dizer misturado.), ou estaremos fadados a existência restrita, presos em nosso mundo, do jeito que a Regina Casé quer que o mundo pense: "As coisas da periferia são lindas". MAS NA PERIFERIA O BAGULHO É DOIDO!"
Texto: Cláudia Maciel (Cufa DF) com contribuições de André Brito (Cufa Ocidental) e Everardo Santana (Cufa DF).
Texto: Cláudia Maciel (Cufa DF) com contribuições de André Brito (Cufa Ocidental) e Everardo Santana (Cufa DF).
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