sábado, 14 de junho de 2008




reivindicar, treta daqui, treta de lá e acabamos saindo fora, ai tinha dois caminhos que a gente nunca tinha andado, um era gravar por nois mesmo, era um bagulho que toda mão os cara falava porra mano, porque vocês mesmos não gravam , tem nome pra caralho e talz, e outro bagulho era gravar pelos cara que canta RAP também, então a principio a proposta do HErlei e Chupim , que são os sócios , Face da Morte, apareceu um bagulho da hora, e ai na época nois não tinha condições de fazer e os caras chegaram com uma proposta da hora, e aceitamos, é aquele bagulho, voltando até a tecla do Lula, é um cara que você viu ali no RAP, viu sofrendo também, o cara sabe o que tem que ser feito, sabe que tem que ter pôster na galeria, tocar no radio, então nois acreditamos, pra não falar, a única coisa que ainda não rolou, foi o vídeo clipe. Mas tocou bem pra caralho nas rádios, distribuiu da hora, pôster com respeito, até a premiação do Hutus tem tudo a ver com os caras , também que divulgaram muito bem, o Cd está no Brasil inteiro e tipo assim, na verdade foi a melhor gravadora que trabalhou e tanto é que o disco novo eu diria que 99% está quase para fechar com o Face da Morte, dificilmente a gente não vai fechar, mas falta alguns detalhes e tudo indica!
Rap Nacional: Eduardo e Dum Dum, vocês não pensam, ou nunca pensaram em lançar um cd solo?? Facção Central: As vezes até passa pela cabeça, só que tipo assim a gente tem uma média de 1 CD a cada 2 anos, então nesse tempo você está trabalhando o CD, então pra você fazer isso, o que que acontece, teria que ficar sem gravar um Facção, uns 4 anos por exemplo, teria que lançar um facção agora em 2004 por exemplo, ai em 2006 lançar os solos, que na verdade seria um facção central separado, com outro nome, daria na mesma coisa, e só lá pra 2008 por ai sair outro cd do facção, e na verdade nois vende é Facção Central e sempre foi assim, até pensamos , mas também pensamos no lado financeiro, as vezes a casa ta caida, tem varias propostas, paro e falo, acho que vou ter que abraçar aquela ali porque o bicho ta pegando, RAP é foda tem show a família ta de barriga cheia, não tem show o bicho pega, então é daquele jeito, os cara fala, pÔ, ta nadando, ta sorrindo à-toa, achou dinheiro, só que não é assim não mano, bagulho é daquele jeito, quando você vai fazer o show os cara não entende que tem o transporte, tem a equipe inteira, no final quando você para para fazer a media do mÊs, você ganha igual qualquer funcionário ai, tipo assim você não tem uma vida de artista da globo, você não tem uma vida de pagodeiro, o RAP é outra fita!
Rap Nacional: Dum Dum, a sua parceria com o Eduardo no Facção Central foi uma das coisas que mais deu certo no Rap Nacional. O que você tem a dizer sobre a sua amizade com o Eduardo, e sobre a sua função no Facção Central,? já que o Eduardo é o cara que mais escreve DUM DUM: Só ele escreve no barato entendeu, ele tem a cara já do barato, se outra pessoa escrever acho que não tem nada a ver, acho que é ele mesmo no barato, e a parceria com ele deu certo porque, eu conheço ele já a muitos anos, moramos na mesma quebrada, inclusive somos da mesma família, eu sou casado com a irmã dele já faz mais de 9 anos, e é isso ai sempre vai dar certo porque com a gente não tem treta e nunca teve , também se tivesse acho que a gente não estaria juntos até hoje e é isso ai!
Rap Nacional: Eduardo, muito obrigado pela entrevista, o site http://www.rapnacional.com.br/ agradece, de coração, por ter recebido a gente em sua casa, somos um site independente ta ligado, não dependemos de ninguém, a gente faz a parada porque a gente gosta mesmo, de coração, a gente acredita na parada, e a gente sai da nossa quebrada lá do outro lado da oeste, viemos aqui pra sul bem recebido ai pelos contatos, e a gente no nome do site gostaríamos de agradecer ae a atenção , de ter dado essa oportunidade de conhecer melhor vocês , ter colado na quebrada de vocês, o facção as vezes ajuda a gente sem saber, entendeu, as vezes colocamos uma noticia, uma foto no site, a rapaziada cola, quer saber de vocês, então a gente fica mó feliz em colar aqui mesmo, em poder fazer essa entrevista da hora, conhecer mais, que a gente possa colar aqui outras vezes, com outras perguntas, falar de outros assuntos e a gente possa estar aprendendo e poder ajudar, porque Rap é essa fita que o Eduardo falou, O Rap é essa fita, tem que ser um ajudando o outro sem hiproquesia mesmo, ser um bagulho verdadeiro, independente de dinheiro de ser perto ou longe , e fazer o barato andar de verdade!
Facção Central: O que nois tem a dizer é só agradecer, ainda mais nois que também acessa a internet, ta ligado né mano, o Rap Nacional, é um site que até falei com vocês ali em Off né mano, é o site que eu observo, entendeu, que fala de todos os grupos, não to nem criticando os outros, ta ligado, eu nem sei o que os outros falam ou não falam , é um site que eu vejo que todos grupos sempre tem espaço, as festas por mais mínimas que seja , sempre tem a cobertura , então diria que o bagulho é bem povão, normalmente quando é bem povão já tem a ver com o Facção, vocês faz um papel louco, que é estar em tudo quanté festa, eu acho que é assim mano, o rap é tipo assim , esta enraizado na humildade, na simplicidade. Muitas vezes você cola num evento que parece que vai ser o evento mais loco do mundo, e ali não tem os verdadeiros, é igual aquele bagulho que até falei pra você, cobre lá o Snoop Dogg Dogg de 40 a 120 reais, não vai ter dos nossos lá, vai ter dos nossos que teve que roubar para ir lá, isso ai pra mim na periferia, você trazer o Snoop Dogg Dogg, trazer atrações americanas que a favela sempre sonhou em ver, num preço desse , você está pedindo pros cara meter os canos pra ir ver o show, você está incentivado é o crime, então eu acho que é assim, quanto mais simples for, mais humilde, claro também não adianta fazer um bagulho humilde , cobrar um preço popular, se vem uns 4 ou 5 filho da puta pra querer comprar tudo, só que por outro lado também tem que saber organizar pra ninguém ficar de fora na hora das bandas, então o bagulho é bem complexo, uma boa organização, os cara entendendo que tem que respeitar o bagulho, porque mano, tem que entender, o bagulho é nosso, é de vocês , é do cara que ta na periferia, porque mano, os cara fala po, mais só lucra com o RAP os cara que canta, o cara que promove a festa, mas porra, todo mundo não faz o show de corpo e alma? não faz o bagulho? então essa é a troca ali no bagulho, então todo mundo tem que entender que o bagulho é de todos nois, tem que saber cuidar, e é desse jeito que o bagulho anda! O RAP é favela, favelado é gente humilde , por exemplo o cara que ta na goma dele derrepente ali na hidromassagem, ele não entende que 1 Real faz diferença em uma determinada família, estamos falando de gente que vende bagulho no farol, de gente que pede esmola, de gente que rouba para sobreviver, de gente que rouba para realizar sonhos, então mano eu acho que no Brasil não está certo você trazer atrações nesse nível de preço, é minha critica mesmo, eu acho que o bagulho é favela e favela tem que pagar no Maximo 10 reais, que já é difícil pra caralho, é difícil até umas horas, então não acho certo, você trazer bandas que os caras sonharam em ver e na mão que eles colar aqui, tanto Public Enemy, vi uma par de maluco falar, tipo ta ligado, "caralho meu ,p orra, meu sonho era ver o bagulho e não vai dar pra ver!"
Rap Nacional: Aqui em São Paulo pouca gente viu né, mas no Rio teve uma atitude legal dos caras do hutus que fez o barato a preço popular! Eduardo: Eu achei muito louco também o Public Enemy. em sí, eu achei que eles ia vir com aquela arrogância dos americanos, aquele ar de superioridade, mas não, os cara tava ali no meio da banca, trocando idéia , até o Macari estava com nois e tem um truta nosso que morou em Boston que fala inglês também, então os cara ali trocando idéia com a banca me surpreendeu, humildade, então foi até uma lição, que espero que vários grupos tenham visto ali né mano, porquê ai, tem umas par de maluco que mete mala, nariz empinado, e o Public Enemy , um dos melhores , indiscutivelmente, tava ali trocando idéia com todo mundo, mesmo patamar, tratando todo mundo como ser humano!
Rap Nacional: E a todo momento lá no hutus eles até citaram que o RAP do Brasil tem muito mais atitude do que o RAP Americano! Eduardo: É eu acho que é esse o ponto, vamos até partir do principio, você coloca o ingresso a 120R$, nois que canta rap não vamos no bagulho, porque não temo, se eu der 100 conto pra ver Snoop Dogg Dogg, FUDEU, as panelas vão ficar vazias uma cota, então mano daquele jeito, a partir do momento que você colocou lá, 100 conto, já não foi o Facção, já não foi os favelados, já não foi outro grupo também que não tinha dinheiro, quem que vai? por 10 reais , vai começar a ir os boys, ai os boys não gosta de ouvir RAP de violência, RAP que é contundente, que tem um discurso áspero, boy gosta de balançar o rabo, então a partir do momento que o boy invadiu, um grupo ou outro vai começar a mudar o estilo dele, então quando você ver, passa o tempo, daqui a 10 anos, o Rap Nacional ta igual o Rap Americano, só dinheiro, Hiate, piranha de calcinha, champanhe , garrafa de cristal e a essência do bagulho sumiu, muita gente fala, porra é só mais um evento, um evento pode estar começando a ser um vírus do bagulho, hoje o bagulho é favela, por isso que até você vê, tem o respeito do Public Enemy, que a partir do momento que você parar e traduzir as letras dos americanos e comparar as do brasileiros, não tem comparação, não só na atitude, muitas vezes os caras falam, porra aqui tem mais atitude, fica parecendo que é um bagulho tipo assim, vocês são mais sérios, mas o talento está lá, eu não diria que é só atitude, acho que aqui tem mais criatividade, e só não tem o que eles tem, derrepente o dinheiro, aquela estrutura para fazer os clipes em cinema, você ve tanto vídeo clipe jogado fora, vários vídeo clipe muito louco, tem uns mano que traduz as letras pra nois , po se você ver você desacredita , aqui se matando pra fazer um vídeo clipe para mostrar a realidade do seu cotidiano, do cotidiano dos cara e não tem o dinheiro e os cara lá tem sobrando pra fazer um monte de merda!
Rap Nacional: Sem contar que aqui a gente acaba investido mó grana num vídeo clipe que por menos de 5/10 pau não sai, pra passar em um programa que a gente só tem o espaço de 1 hora né mano...Eduardo: Espaço de uma hora , e por exemplo, na minha casa só pegou quando descolamos uma TV a Cabo ai, ..praticamente nunca assisti MTV, nunca pegou em casa, aqui não pega, aqui no Grajaú onde nois estamos não pega MTV, então quer dizer , você gasta pra caralho, faz um vídeo clipe e não tem nem onde veicular o bagulho, porque é tipo assim, MTV é praticamente não diria nem um canal aberto, pra cá é como se fosse de uma TV paga, porque não pega aqui, aqui você vai ter que comprar uma parabólica para poder ver 1 hora de YO!
Rap Nacional: Que toca vários gringos e poucos nacionais... Eduardo: Exatamente, é tipo assim, você pega a MTV e já na grade de programação do dia já toca vários gringos, porque toca o Nelly, Ja Rule, entendeu, os cara da moda, ai chega na hora do YO também só gringo, mas é isso que estou falando , o RAP tem a engrenagem, é só a gente colocar o óleo no lugar certo, limpar que ela começa a funcionar, só botar os pingos nos Ísis, entender o porquê que por exemplo o negro americano conseguiu evoluir, buscar os direitos deles , foi porque reivindicou, porque buscou, porque trabalhou para isso, é a mesma coisa, a gente tem que começar a entender e valorizar o que é nosso, não adianta ficar pagando pau pra americano, não adianta, os caras querem que a gente se foda, a gente nem existe pra eles, pra eles a capital do Brasil é Buenos Áries , os caras não sabem nem o que que é brasileiro, o que que é Argentino, também não tem nem porque saber, porque nois também não tem nem o porque saber , temos que saber qual que é a historia do Brasil, nois tem que viver nosso mundo aqui, se informar e pá, valorizar o que é nosso, a partir do momento que qualquer programação tocar 98% de Brasileiro e 2% de Americano ae nois vamos começar a evoluir!
Rap Nacional: Sabotage foi um cara que apareceu muito na mídia, representou o Rap até umas horas, e hoje infelizmente se foi e a família dele esta passando vários apuros, e ninguém foi lá acudir a família dele, você acha que isso é um espelho para os grupos ? Eduardo: Isso ai é primeiro o espelho do que mostra a realidade, muita gente acha que só porque você sobe no palco , você é cheio do dinheiro, o mano fazia tanto show quanto o facção, tinha até mais disposição na mídia do que o facção, e quando ele se foi a familia dele ficou nessa situação drástica, então o bagulho é dramático mesmo, pros grupo entender, saber valorizar o pouco que ganha, não que eu esteja dizendo que o mano não valorizou, nem conhecia ele tão bem, trocava uma idéia ou outra nos shows, e é aquele bagulho, tem que ser hoje daquele jeito, o que os grupos puder ser solidário tem que ser, tanto é , nem lembro, acho que foi o DJ Hadge que convidou o facção para estar num evento que iria reverter o dinheiro para família do sabotage, falei ó mano, no que quiser pode contar com facção, é um bagulho que estamos plantando não só pra ajudar a família dele, mas o dia que acontecer com agente também, porque ninguém é imortal ta ligado, a gente sabe o que canta, sabe o tanto que a gente é odiado por determinadas pessoas, então derrepente uma hora ou outra alguém realiza o sonho e derruba a gente, a família fica e a gente espera que o RAP também faça o que nois estamos tentando fazer ali, e tem que ser dessa maneira mano, porque, porra, você fabrica sonhos , você fabrica momentos, porque a sua musica derrepente é trilha sonora de pensamentos bons, pensamentos ruins, de momentos de diversão, então você está presente no intimo de varias pessoas, só que derrepente, é aquele bagulho, você não é mais uma pessoa, como você era, você é um cara que fabrica sonhos, fabrica ilusões, fabrica situações, vontades, abre o olho de muita gente que esta ali de chapéu achando que o mundo ta bom, você faz tudo isso só que derrepente você morre e o que ficou para traz ninguém valoriza, é tipo assim, quero que que em goste da gente , goste da nossa família também, e quando não puder mais comprar o nosso CD , pelo menos não deixa quem ficou para traz de qualquer jeito.!
Dum Dum: Consideração de vocês sem palavras ai, firmeza, um abraço para todas as pessoas que votaram no facção central, e tenham mais Deus no coração, é isso ai!

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